segunda-feira, 11 de julho de 2022

Às vésperas do seu retorno, 52ª Missa do Vaqueiro de Serrita está mergulhada em polêmicas



 Considerado o maior evento religioso e profano do Sertão nordestino, a Missa do Vaqueiro de Serrita (PE), que passou dois anos sem ser realizada presencialmente por conta da pandemia de Covid-19, volta esse ano, na sua 52ª edição, cercada de polêmicas em sua programação que acontecerá entre os dias 21 e 24 de julho. Primeiro foi a paternidade do evento. A prefeitura decidiu, unilateralmente, tomar para si a realização do evento, que há mais de duas décadas é de responsabilidade da Fundação Padre João Câncio. Só em junho último a Fundação conseguiu uma liminar que lhe deu o direito de integrar a sua programação artística (oriunda de emenda parlamentar) à grade da prefeitura.

Nesta semana, a polêmica nas redes foi sobre a decisão da prefeitura de assumir o estacionamento e o camping do evento, que recebe milhares de turistas de todo o País. O Executivo Municipal passou a administrar e cobrar as diárias, que chegam a R$ 200. Muitos estão estranhando essa estatização, e também o fato de que em anos passados os valores cobrados eram simbólicos.

Outro fator que causou surpresa na cidade foi a criação, pela prefeitura, da Central da Missa do Vaqueiro. Trata-se de um comitê formado pelas secretarias de Comunicação, Cultura e Turismo e Juventude e Esportes, mais duas empresas privadas que não se sabem como foram licitadas (a 2Click e a William Produções). A Fundação não foi convidada a participar do comitê.

É um grande absurdo tudo isso que estamos vivendo. Trata-se de uma intervenção sem precedentes e totalmente ilegal por parte da prefeitura, com a conivência do governo estadual. O evento é uma realização da Fundação Padre João Câncio, que é quem detém a propriedade intelectual da celebração”, diz Helena Câncio, presidente da Fundação.

Sobre a cobrança do estacionamento, o camping e a ausência da Fundação no Comitê, ela acrescenta: “a prefeitura insiste em não dialogar conosco, embasada num comodato do Parque Estadual João Câncio pelo Governo do Estado, que lhe dá tão somente direito ao uso do solo. Também não esclarece a destinação desta arrecadação, haja vista que os investimentos que estão sendo feitos no parque são de origem pública”. Turistas e agentes de viagens questionam nas redes sociais os preços cobrados.

Atrações

As polêmicas envolvendo a 52ª edição da Missa do Vaqueiro  não param por aí. A grade de atrações de responsabilidade da prefeitura é milionária. Já foram anunciados Wesley Safadão e João Gomes, por exemplo. O que se diz na cidade é que o governo do Estado, através da Empetur, garantiu mais de R$ 2 milhões para cachês e infraestrutura, enquanto, de acordo com a Fundação, sequer foi pago o convênio do evento de 2019, no valor de R$ 500 mil. 

Blog do Carlos Britto

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