quarta-feira, 24 de março de 2021

Papa corta altos salários do Vaticano para evitar demissões

 

O papa Francisco decidiu cortar os salários de cardeais e clérigos devido ao agravamento da crise econômica no Vaticano como resultado da pandemia de coronavírus, informou a assessoria de imprensa da Santa Sé nesta quarta-feira (24).

Em uma carta apostólica, chamada 'Motu Proprio', publicada nesta quarta, o papa anuncia que a partir de 1º de abril o salário dos cardeais será reduzido em 10%, e o dos chefes e secretários de dicastérios (ministérios) em 8%. E 3% dos clérigos e religiosos.

"Um futuro economicamente sustentável requer hoje, entre outras decisões, a adoção de medidas relativas aos salários dos funcionários", escreveu o papa argentino no documento que anuncia o corte proporcional e indefinido nos salários no Vaticano.

O pontífice, que quer evitar demissões, considera que as despesas devem ser contidas e por isso decidiu intervir "segundo critérios de proporcionalidade e progressividade" com ajustes que afetam especialmente os clérigos, os religiosos e os níveis mais altos de remuneração, informou o Vaticano News, o site de informações do Vaticano.

A decisão foi tomada devido ao "déficit que há vários anos marca a gestão econômica da Santa Sé" e, sobretudo, pela situação gerada pela pandemia, "que afetou negativamente todas as fontes de receitas da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano", explicou o pontífice no documento.



Os aumentos salariais por tempo de serviço também estão suspensos por dois anos para todos os funcionários de nível 4 e superiores.

As contas do Vaticano estão no vermelho devido à queda nas doações (25%), à perda líquida de receita dos Museus do Vaticano (85%) e às reduções que teve de aplicar em 2020 aos aluguéis de suas instalações para empresas em crise após o ano sombrio causado pela pandemia.

A Cúria Romana, administração central da Igreja Católica que agrupa 60 entidades ao serviço do papa, registou um buraco "da ordem dos 90 milhões de euros" (108 milhões de dólares), nas suas contas de 2020, face a um déficit de 11 milhões de euros (13 milhões de dólares) em 2019.

No total, o Vaticano emprega cerca de 5.000 pessoas, que recebem regularmente seus salários.

No ano passado, devido à emergência sanitária, a Santa Sé teve de recorrer a suas reservas financeiras, bem abastecidas, para poder cobrir as necessidades, sem ter de abandonar os seus numerosos bens imóveis.

Desta forma, compensou uma queda da ordem de "20 a 25%" em sua receita em 2020, que provavelmente se repetirá em 2021, explicaram fontes vaticanas.

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