domingo, 17 de maio de 2020

Weintraub sobre Enem: 'Não é para atender injustiças sociais, é para selecionar os melhores'


O ministro da Educação Abraham Weintraub disse na sexta-feira (15) que não vê necessidade de cancelar o Enem. O ministro afirmou que os movimentos que pedem o adiamento da prova são feitos pela oposição “com uma visão política e econômica”. Durante entrevista à CNN Brasil, o ministro ainda afirmou que o Enem “não é feito para atender injustiças sociais e, sim, para selecionar os melhores candidatos.”

“A ideia dos grupos de oposição é cancelar do Enem. Não é adiar, é cancelar. É muito cedo para falar sobre isso. O Enem acontece apenas em novembro e a segunda chamada, em dezembro. Agora, estamos lidando com as inscrições”, afirma o ministro. 

Quando questionado sobre a internet, que não é acessível a todos, Weintraub brincou com o fato de as inscrições serem feitas on-line. “Se a pessoa não tem internet nenhuma em casa, ela não consegue se inscrever no Enem”, conta. “A prova não é feita para atender as injustiças sociais e, sim, para selecionar os melhores candidatos”, afirmou.

Acesso à internet
Um em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet, ou seja, cerca de 46 milhões de brasileiros não acessam a rede. Os dados, de 2018, foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em abril.

De acordo com Weintraub, a oposição foi a responsável por implantar esta ideia na cabeça da população. Ele alegou que a “realidade não é como falam” e que seria uma “maldade” suspender a prova.

O ministro da Educação afirmou que a repercussão da pauta veio da falta do que fazer de políticos. “Agora, estão sem o que fazer... sem o que falar”. Weintraub afirmou que o cancelamento Enem tem viés político e econômico. “Existe uma bancada que quer fazer um grande monopólio/oligopólio na educação”, disse.

O ministro ainda fez uma piada com os líderes estudantis. “Daqui a pouco, estou pedindo bênção. Estão mais velhos do que eu”, brincou.

Países que cancelaram
Países como a França, EUA e China cancelaram seus vestibulares depois da pandemia do novo coronavírus. De acordo com Camilo Mussi, presidente substituto do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), não há plano de contingência para a realização do Enem caso a pandemia se prolongue até novembro, mês em que estão marcadas as provas presenciais.

Pondo em vista isso, Weintraub não deixou o cancelamento de lado. O ministro afirmou que, se em agosto a pandêmia não tiver arrefecido, ele deve pensar sobre o assunto, mas reafirmou que não existe razão para isso ser feito agora.

Diário de Pernambuco

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