quarta-feira, 13 de maio de 2020

Covid-19 também mata jornais


Mais antigo em circulação na América Latina, com quase 200 anos de história, o Diário de Pernambuco não foi o primeiro nem será o último a antecipar a migração do impresso para o online em decorrência da pandemia do coronavírus. Como o papel é vetor da transmissão do vírus da Covid-19, ninguém se arrisca mais a ler notícias impressas com cheiro de tinta. E isso não é exclusividade do Brasil, atinge o mundo inteiro.
Os jornais da chamada mídia tradicional enfrentam tempos bicudos, impostos pela redução ou suspensão das edições impressas, cortes de salário e demissões em massa. A pandemia de coronavírus atingiu em cheio a saúde financeira de empresas de mídia da América Latina num momento em que o trabalho jornalístico é essencial para a sociedade. No Brasil, uma medida provisória do Governo autoriza empresas a reduzir salários e jornadas de trabalho em até 70% por até 90 dias. O objetivo é aliviar as obrigações das empresas e manter postos de trabalho durante a crise.

O jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), um dos três mais importantes do País, promoveu um corte de 25% nos salários e jornadas de trabalho a partir deste mês. O plano prevê garantia de estabilidade de seis meses e plano de saúde até o fim do ano. A empresa, responsável também pela Agência Estado, teria perdido 50% da receita com anúncios impressos e eventos, segundo o diretor de redação, João Caminoto, explicou a cerca de 250 jornalistas que participaram de uma conferência via Hangout.
De acordo com jornalistas que participaram da reunião virtual, a proposta é fechar um acordo coletivo através do sindicato dos jornalistas. Caso não haja acordo, a empresa vai propor acordos individuais, sem garantia de estabilidade para os que não aceitarem, informou o Brazil Journal. No Rio de Janeiro, o jornal O Dia anunciou a redução de 25% dos salários e da jornada de trabalho para todos os seus funcionários da redação e das áreas administrativas já relativa ao mês de março.
Num comunicado enviado aos jornalistas e reproduzido pelo site Comunique-se, a presidência do jornal informa que “a fatia restante será quitada tão logo o cenário de contingenciamento nacional se desfaça.” Posteriormente, um novo comunicado informa também a redução de jornada a partir de março. Já em Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil, o jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, propôs redução salarial a seus jornalistas. Já O Tempo, também da capital do Estado, demitiu 24 jornalistas, segundo o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais.
Na Argentina, a editora Publiexpress demitiu 93 pessoas e encerrou a publicação das revistas Pronto, Diário de la Salud, Saber Vivir e Buenas Ideas. Apenas a edição digital da Pronto, que é especializada em celebridades, foi mantida. O Foro de Jornalismo Argentino (FOPEA, em espanhol) se solidarizou com os profissionais e alertou que “estamos diante de uma crise de meios que hoje se vê acelerada em consequência da pandemia de COVID-19, que ameaça ser catastrófica para o setor”.
Na Colômbia, o Grupo Semana demitiu cerca de 250 empregados, entre jornalistas e trabalhadores das áreas administrativa e comercial devido ao impacto financeiro causado pela crise do coronavírus. Além disso, decidiu suspender por 60 dias a publicação das revistas Arcadia, SoHo, Jet-set, Semana Educación e Semana Sostenible. “Parece-me que a empresa envia internamente mensagens bastante contraditórias aos seus trabalhadores, porque imediatamente eles me levaram à gerência de recursos humanos e o que me apresentaram foi uma carta informando sobre a rescisão do meu contrato de trabalho, sem nenhum compromisso da parte deles de retornamos ao trabalho para a organização após a crise”, disse ao programa de rádio Mañanas BLU Sara Malagón, ex-editora da revista cultural Arcadia, sobre o possível retorno da revista quando a situação no mundo voltar ao normal.
No comunicado em que anuncia a suspensão das revistas, o Grupo Semana afirma que as revistas Semana e Diñero continuarão sendo publicadas normalmente. “Sem dúvida, o impacto econômico criado pelo fenômeno do coronavírus e as restrições logísticas tornam obrigatório projetar reestruturações dessa natureza. Um desafio como esse é simultaneamente uma oportunidade de inovar e procurar maneiras de melhorar nossos produtos”, informou o Grupo em nota.

Inf. Blog do Magno (Coluna)

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