domingo, 8 de março de 2020

A busca por mais espaço para mulheres no mercado de tecnologia






Apesar da discussão mais constante em relação à presença da mulher no mercado de trabalho e o recuo, mesmo que de forma ainda lenta, em relação às disparidades que as posições ocupadas e rendimentos apresentam, na área de tecnologia o caminho ainda parece longe de ser o ideal. Ambiente dominado pela presença masculina, muitas barreiras ainda precisam ser quebradas. Mas, pouco a pouco, as mulheres começam a ocupar postos de trabalho neste mercado e cargos de liderança já não são uma realidade tão distante. Mas que ainda precisa evoluir bastante de uma forma geral. Entre os profissionais do mercado brasileiro de TI, apenas 20% são mulheres. Porém há espaço para uma mudança. Neste ano, existem 586 mil vagas não preenchidas na área de tecnologia na América Latina, segundo pesquisa da IDC - International Data Corporation.



Segundo Margareth Goldenberg, gestora executiva do Movimento Mulher 360, este é um momento muito importante de avanço na conscientização, o que já é um primeiro passo para uma mudança. "As grandes empresas já têm clareza de que é necessário ter mais mulheres nas corporações, em cargos de liderança, sem discriminar ou estereotipar algumas áreas e funções, inclusive a de tecnologia", afirma. Ela acredita ainda que a máxima que não existe mulher para exercer cargoas na área não reflete a realidade, mas que ainda é preciso fazer um trabalho de estímulo para avançar a participação delas. "O que é verdade é que tem menos mulheres nos cursos de exatas, de engenharia, mas esse número vem aumentando. Mas, como empresa, o que se pode fazer é estimular essa mudança. Se não fizer nada para mudar as preferências para essas áreas, para uma transição das mulheres para cargos de tecnologia, vamos ficar com a lacuna de gênero até 2073, segundo relatório da IBM", acrescenta.






A presença das mulheres nas empresas tem reflexos positivos, não só em relação à gestão, mas também de resultados dos negócios. "Elas geram um impacto grande de retenção, 20% maior para as mulheres. Além disso, 42% têm melhores relações com o grupo. A empresa ganha com isso. Uma frase que gosto de usar é que é estúpido pensar que a guerra será vencida contra o talento excluindo metade da população. Mas as empresas passaram essa etapa da conscientização e agora estão na fase de se perguntar como fazer isso", pontua Margareth Goldenberg.



Se os caminhos atualmente ainda não são fáceis, há alguns anos eram mais difíceis. Mas não foi um percalço na carreira de Janaína Lima Cavalcanti. Formada em Engenharia Eletrônica, ela trabalha na Tim desde 1994 e hoje ocupa o cargo de manager da área de Operação de Redes, comanda 20 subordinados, praticamente todos homens, e cuida de um território composto por seis estados. Apesar de tirar de letra as funções de trabalho, Janaína sabe que precisou provar a sua competência para crescer profissionalmente. "As pessoas precisam conhecer seu trabalho primeiro para respeitar mais. A postura de trabalho precisa separar a do ambiente de casa, de mãe. Mas, como trabalho em uma empresa grande, sinto que aqui eles entendem esse papel, isso não desabona a profissional que você é", garante.






Ecossistema

O ecossistema consolidado de Pernambuco também ajuda a atrair mais mulheres para a área de tecnologia. Mas ainda é preciso um trabalho para ampliar a diversidade, de uma forma geral, em um ambiente ainda tão masculino. O Porto Digital conta com 11,6 mil trabalhadores e apenas 32% são do sexo feminino. "Mas é um dado enviezado porque a pesquisa diz quantas colaboras tem, mas somando todas as áreas, inclusive a administrativa e RH, que contam com muitas mulheres e aumentam o percentual. Mas o número de desenvolvedoras é menor, não sabemos estimar quanto exatamente porque a pesquisa não foi extratificando", explica Marcela Valença, gerente do eixo de Pessoas do Porto Digital.



Ela ressalta que pesquisas apontam que as mulheres têm notas mais altas em matemática e exatas, mas que os homens que acabam seguindo na área. "É como se o espaço de pensar não fosse feito para mulheres, mas estamos buscando quebrar isso, não é só em Pernambuco, é no setor de tecnologia como um todo. Mas o Porto Digital está olhando para essa realidade e tem, desde 2018, o Minas, para trazer equidade de gênero para o parque tecnológico", esclarece Marcela.






MINAs foca em ações em busca de maior equidade no Porto Digital



No meio de um universo de 327 empresas que compõem o parque tecnológico do Porto Digital, o programa Mulheres em Inovação, Negócios e Artes (MINAs) surge como um respiro na busca por um maior espaço para elas no mercado de trabalho na área de tecnologia. Em um ambiente ainda muito masculino, as ações visam garantir uma equidade maior, incluindo as mulheres entre os planos do programa. O MINAs trabalha para uma maior formação de meninas para atuar na área de TI . Além disso, também busca referência nas professoras, pesquisadoras e estudantes do setor de tecnologia para fortalecer os laços e atrair mais mulheres. As colaboradoras que já fazem parte do quadro do Porto Digital também ganham atenção na procura por um ambiente mais acolhedor.





A educação é um dos pontos de partida para as ações do MINAs. "Vamos nas escolhas e mostramos para as meninas que a área de tecnologia é lugar para elas, sim, que elas têm condições de assumir cargos nesse mercado. Também articulamos com instituições de ensino superior que têm cursos de tecnologia para que as mulheres ajudem a atrair outras", explica Marcela Valença, gerente do eixo de Pessoas do Porto Digital.



Garantir um ambiente mais acolhedor para as funcionárias do parque tecnológico também é uma conquista que vem sendo alcançada com as ações do programa. "A gente sabe que o ambiente na área ainda não é bom para as mulheres, tem muito homem. Então quanto mais diversidade, mais acolhedor ele se torna. Trabalhamos para evitar piadas, preconceitos e olhares enviezados para a população que não fazia parte do Porto Digital normalmente", detalha.





Outra questão foi uma parceria com a Prefeitura do Recife para instalar uma creche no Recife Antigo. "É uma creche pública e de qualidade e não beneficia só as trabalhadoras do Porto Digital, ela beneficia as mulheres da Comunidade do Pilar. É um trabalho do parque de inserção da comunidade. As empresas faturam muito, é uma contribuição enorme para a economia de Pernambuco e o Pilar tem um dos menores IDH. Então fazemos uma série de ações para tornar a comunidade melhor, trabalhamos com cursos para mulheres, queremos que elas se qualifiquem também",



Além das ações, existe ainda um trabalho constante de conscientização. "Fechamos parceria com a Onu Mulheres para trabalhar um programa que traga o debate sobre contratar mulheres e de como a diversidade é importante. Não é apenas por direito ou feminismo, é importante para os negócios. A ONU tem trabalhado com CEOs e mostra pesquisa que revela que empresas que têm mulheres no quadro, tem uma melhoria no faturamento. Algumas empresas, inclusive, já aderiram ao programa. A perspectiva do futuro é caminhar para uma equidade. O Porto Digital está atento para que isso aconteça não apenas no discurso, mas na prática também", garante.



Diário de Pernambuc

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