domingo, 14 de outubro de 2018

Vice de Jair Bolsonaro some de campanha

Após falas polêmicas, vice de Bolsonaro some de campanha. Última declaração de general Mourão foi no dia da eleição, quando admitiu ter errado ao dizer que o neto era bonito e contribuía para o ‘branqueamento da raça’
Foto: General Antônio Hamilton Mourão em entrevista no dia da eleição Foto: Ailton Freitas / Ailton Freitas
O Globo - Por Jussara Soares

Na quinta-feira, o presidenciável Jair Bolsonaro se reuniu pela primeira vez com a bancada eleita de seu partido, o PSL, no Rio de Janeiro. Cinquenta dos 52 deputados federais compareceram. Uma ausência, porém, foi sentida: a do candidato a vice de Bolsonaro, general Antonio Hamilton Mourão (PRTB).
Antes onipresente, Mourão sumiu após o primeiro turno. Antes solícito, esquivou-se de entrevistas. Sua última declaração foi no dia da eleição, quando admitiu ter errado ao dizer que o neto era bonito e contribuía para o "branqueamento da raça". O sumiço é um pedido da equipe da campanha. A capacidade de Mourão de colecionar polêmicas com suas declarações preocupava o entorno de Bolsonaro.
Mourão sempre ignorou a fama de falastrão. Disse que foi justamente a clareza com que expõe suas ideias que o aproximou de Bolsonaro na política.
— Ele sempre soube dos meus posicionamentos - diz o general de 65 anos
Mourão afirma que suas palestras de cerca de 45 minutos só agora começaram a ser criticadas. Em suas explanações, fala desde a formação do povo brasileiro até ao fato do neto de 10 anos estudar filosofia na escola. Foi em ambientes favoráveis que ele afirmou que o brasileiro herdou a "indolência" do índio e a "malandragem" do negro, e que lares apenas com "mães e avós" são "fábricas de desajustados."
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— Quando eu não era candidato ninguém dava bola para isso. Agora passou a ter repercussão - disse Mourão antes de sumir.

A declaração mais delicada de Mourão, que gerou uma reprimenda pública de Bolsonaro, foi uma crítica ao 13º salário. Mas, ao contrário de Bolsonaro, Mourão não se sente perseguido pela imprensa.
— Eu não fico chateado, porque creio na liberdade de imprensa, entendo como um valor. A mídia é feita para os governados, não para os governantes. Os governantes têm que estar sob pressão - diz. - Você vai apanhar sempre. Sei que estou suscetível a críticas.
Foi justamente após uma declaração polêmica que Mourão recebeu o convite de Bolsonaro para entrar na política, no fim de 2017. Na oportunidade, ele havia perdido o cargo de secretário de Economia e Finanças do Exército por defender a possibilidade da intervenção militar caso o Judiciário não conseguisse resolver "o problema político".
Bolsonaro e Mourão se conheceram em 1986, quando eram tenentes no 8° Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, no Rio. Em setembro daquele ano, Bolsonaro foi preso por 15 dias após publicar um artigo na revista "Veja" protestando contra os baixos salários. A convivência na Vila Militar, onde ambos moravam,foi curta. Em 1988, Bolsonaro foi eleito vereador.
— Sempre tivemos uma boa relação. Éramos uma dupla de amigos no Exército - contou Mourão.
É essa dupla de amigos que Mourão garante que os dois vão reeditar - e não uma versão verde oliva de Dilma Rousseff e Michel Temer. O fato de ser um general e estar subordinado a um capitão, posição inferior na hierarquia militar, não será uma questão.
— Isso não tem problema - afirma Mourão, cuja patente alta o blinda de ser questionado por outros integrantes da campanha.
O único assunto que Mourão se recusa a comentar é seu casamento com uma tenente-coronel do Exército, de 42 anos, marcado para depois das eleições.


— Isso é particular. Eu sou viúvo. A pessoa com quem eu convivo é divorciada. Nada mais natural que a gente se case - resumiu.

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