quinta-feira, 29 de março de 2018

Papa aos presidiários: Jesus nunca nos abandona, ele se arrisca por nós

Em Missa da Ceia do Senhor, na prisão romana de Regina Caeli, Francisco reafirmou a importância do serviço e de semear a esperança

“Quando eu me ajoelhar diante de cada um de vocês, pensem: Jesus apostou neste homem, um pecador, para vir até mim e dizer que me ama. Este é o serviço, este é Jesus. Jamais nos abandona, jamais se cansa de nos perdoar, nos ama muito”. A frase foi dita pelo Papa Francisco aos detentos da prisão romana de Regina Caeli, durante Missa da Ceia do Senhor celebrada na tarde desta Quinta-feira Santa, 29.
Antes de lavar os pés de doze dos encarcerados, o Santo Padre explicou a essência do ato de Jesus. “Os pés, naquela época, eram lavados por escravos: era uma tarefa escrava. As pessoas corriam pela estrada, não havia asfalto, não havia paralelepípedos; naquela época havia poeira na rua e as pessoas sujavam os pés. E na entrada da casa havia escravos que lavavam os pés. Foi um trabalho escravo. Mas era um serviço: um serviço feito por escravos. E Jesus queria fazer esse serviço, para nos dar um exemplo de como devemos servir uns aos outros”, explicou.

Partindo desta premissa, Francisco explicou sobre a importância do servir. Segundo o Santo Padre, Jesus anulou o hábito cultural e histórico presente em seu tempo no qual a preocupação estava nos cargos, lideranças, e não no serviço. “Aqueles que comandam devem servir”, afirmava. De acordo com o Papa é preciso servir pessoas soberbas, pessoas odiosas, pessoas que talvez nos desejem mal, e também as que sofrem, que são descartadas pela sociedade.
“Jesus vem para nos servir, e o sinal de que Jesus serve aqui hoje, na prisão de Regina Coeli, é que ele escolheu 12 de vocês, como os 12 apóstolos, para lavar os pés. Jesus se arrisca por cada um de nós. Saiba disso: Jesus é chamado de Jesus, ele não é chamado de Pôncio Pilatos. Jesus não pode lavar as mãos: ele só sabe arriscar!”, suscitou o Papa.

Durante o Lava-pés

Durante o ato do Lava-pés, Francisco afirmou que o homem compartilha de muitos sentimentos contrastantes, mas também do desejo de estar em paz com todos. Para isso, o Pontífice reafirmou a facilidade de estar em paz com quem se ama, mas reforçou a dificuldade de estar paz com os que ofendem e que não amam.

À diretora e aos funcionários do presídio

Após a reflexão, o Santo Padre pediu silêncio aos detentos e que pensassem naqueles que os amavam e em quem eles amavam, mas também naqueles que não os amavam e que eles gostariam de se vingar. “Pedimos ao Senhor, em silêncio, a graça de dar a todos, bons e maus, o dom da paz”, rogou.Após a reflexão, o Santo Padre pediu silêncio aos detentos e que pensassem naqueles que os amavam e em quem eles amavam, mas também naqueles que não os amavam e que eles gostariam de se vingar. “Pedimos ao Senhor, em silêncio, a graça de dar a todos, bons e maus, o dom da paz”, rogou. À diretora e aos funcionários do presídio
Por fim, o Pontífice pediu à diretora e aos funcionários do presídio que aproveitem as oportunidades para renovarem o olhar e escolherem sempre o de esperança. “Semeie esperança. Seu trabalho é este: ajudar a semear a esperança de reintegração, e isso fará bem para todos. Sempre. Toda punição deve estar aberta ao horizonte da esperança. Por essa razão, a pena de morte não é nem humana e nem cristã. Toda punição deve estar aberta à esperança, à reintegração, também para dar a experiência vivida para o bem de outras pessoas”, concluiu.
Da redação, com Boletim da Santa Sé

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