sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Jornalista japonesa morre depois de acumular 159 horas extras em um mês



Uma jornalista de 31 anos morreu depois de fazer 159 horas extras de trabalho. Miwa Sado, que folgou apenas dois dias no mês que antecedeu a sua morte, sofreu uma falência cardíaca. Ela trabalhava na sede em Tóquio, Japão, da emissora pública NHK.

O fato aconteceu três dias depois de Miwa cobrir as eleições da assembleia da região metropolitana de Tóquio e as eleições para a câmara alta do parlamento japonês, entre junho e julho de 2013. Só nesta quarta-feira o caso foi tornado público, quando a agência de notícias japonesa Kyodo News divulgou. A NHK alegou só ter revelado a morte agora por respeito à família Sado. A revelação foi feita por um representante da emissora em entrevista ao jornal Japan Times.


O jornal inglês The Guardian afirmou que a morte de Miwa Sado pressionou ainda mais as autoridades japonesas a agirem contra os empregadores que exigem tanto dos funcionários. Historicamente, o Japão é um país onde o equilíbrio entre vida pessoal e laboral praticamente não existe. O elevado número de mortes relacionado a questões trabalhistas é preocupante.

Problema cultural
No Japão, há inclusive um termo para a morte por excesso de trabalho: Karoshi, palavra que surgiu na década de 1970. Segundo um artigo publicado na revista International Journal of Health Services, em 1997, o primeiro caso identificado aconteceu em 1969. O número de casos semelhantes nas décadas seguintes foi tão alto que o termo foi criado. No final da década de 1980, a expressão já era usual na sociedade japonesa.

Caso de 2015 mudou leis
Em 2015, outra morte por excesso de trabalho veio à tona no Japão. Matsuri Takahashi, de 24 anos, se suicidou devido ao estresse causado pela alta carga horária que precisava cumprir. Nas semanas antes da jovem falecer, ela tinha chegado a mais de 100 horas extras.

O caso de Takahashi desencadeou um debate nacional. O primeiro-ministro Shinzo Abe se viu obrigado a debater sobre a rígida cultura de trabalho japonesa, que privilegia os funcionários que mostram dedicação ao permanecer no local de trabalho para além do horário estipulado.

Pouco tempo depois de Matsuri Takahashi falecer, o governo propôs um limite fixo para as horas extras, que não poderão passar de 100, e introduziu penalizações para as empresas que deixem os funcionários ultrapassarem esta barreira. As medidas ainda não são ideais, e críticos apontaram que as propostas continuavam a deixar os trabalhadores em risco.
Fonte: Zero Hora

Reprodução/Alvinho

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