segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Torcedor esquece o Flamengo e vira fanático por time da segunda divisão de PE

Morador de Santa Cruz, no Sertão, Jonyclecio Farias trocou de time em 2010, quando acompanhou pelo rádio a conquista da Série A2 do estadual pelo Petrolina

A cidade de Santa Cruz, no Sertão Pernambucano, fica a quase 700 km do Recife. Com aproximadamente 14 mil habitantes, a paixão futebolística se divide entre os clubes do eixo Rio-São Paulo. No entanto, o caso de um morador chama bastante atenção. Flamenguista quando criança, o agricultor Jonyclecio Farias de Souza, 23 anos, deixou o clube carioca de lado para se dedicar de corpo e alma ao bem menos badalado Petrolina, equipe do sertão do estado que desde 2014 luta para voltar à elite do futebol de Pernambuco. 
 
O amor pela Fera Sertaneja é tão grande, que Jonyclecio resolveu transformar a pequena casa onde mora, no Sítio Aboboeira, a 8km da sede do município, em um santuário com as cores do time petrolinense. Só que, diferente do que acontece com os gigantes brasileiros, não é nada fácil conseguir materiais do Petrolina. Aí, o jeito foi colocar a mão na massa e criar seus próprios objetos. 

– É difícil a gente encontrar material do Petrolina. Até camisa é difícil. Só tenho camisa de 2010. Não encontro para comprar. Eu pintei minha casa toda, desenhei a bandeira com o símbolo antigo, fiz o desenho com o novo símbolo do time. Quem padroniza minhas coisas sou eu mesmo. Se não encontro para comprar, eu faço. Quando o cara é torcedor tem que ser torcedor de verdade. Fanático tem que ser assim, mostrar o amor pelo clube - diz. 

O verde, vermelho, amarelo e branco tomam conta da casa de Jonyclecio. Quem vem chegando, dá logo de cara com o nome Petrolina Social Futebol Clube escrito na parede do lado de fora da residência. Do lado de dentro, até a fiação e as lâmpadas são das cores da Fera Sertaneja. 

– O pessoal me chama de louco porque eu torço para um time que nem joga o Brasileiro. Mas, nem ligo, sou Petrolina até morrer. Eu acho assim: a gente tem que incentivar os clubes de nossa região para alavancar, de certa forma, o futebol de nossa região.


Adeus, Flamengo

Historicamente, a falta de acesso aos noticiários dos clubes locais contribuiu para que uma grande parcela dos moradores das pequenas cidades do interior do Nordeste se encantassem com os clubes do eixo Rio-São Paulo, que sempre tiveram uma maior visibilidade em âmbito nacional. Quando criança, Jonyclecio engrossou a fileira de torcedores flamenguistas. A história começou a mudar em 2010. Desta vez, o rádio ajudou para que o pernambucano tomasse o caminho inverso. 

– Na minha infância, desde os seis anos, torcia pelo Flamengo. Aí, como não tinha energia no sítio, nem televisão, tentava acompanhar o time pelo radinho de pilha. E as melhores rádios que pegavam aqui eram as de Petrolina. Era assim que ficava sabendo das notícias do Flamengo. Mas, quando chegou em 2010, as rádios de Petrolina estavam transmitindo o Pernambucano da segunda divisão, com os jogos do Petrolina e deixaram de falar do Flamengo. Nisso, eu fui acompanhando e gostando. O coração foi ficando dividido… Até que o Petrolina foi campeão e eu dei adeus ao Flamengo. Hoje, sou torcedor da Fera e o Flamengo é página virada - garante.

O amor de Jonyclecio pelo Petrolina está em todos os cantos de sua casa (Foto: Jonyclecio Farias / Arquivo Pessoal)

Desde que resolveu mudar de time, Jonyclecio teve que se acostumar com a falta de sucesso da Fera Sertaneja. Com exceção das temporadas de 2010, quando conseguiu o acesso, e 2012, quando o clube levou a vaga para a Série D, as coisas no Petrolina não andam nada boas. 

Fundada em 1998, a equipe foi rebaixada para a Série A2 do Campeonato Pernambucano em 2013. Em 2014 e 2015 tentou retornar à elite, mas não obteve sucesso. No ano passado, com problemas financeiros, sequer disputou a segundona. Este ano, a nova diretoria garante que a equipe vai voltar a jogar. Com tantos tropeços, você deve imaginar que Jonyclecio aproveitou a fase ruim do Petrolina para torcer por outro time. Nada disso. Ele se mantém fiel à Fera Sertaneja. 

– Quem é torcedor do Petrolina, é torcedor do Petrolina. Se o time não joga, fica em aberto. Se a gente não tem o Petrolina jogando, fica esperando até o dia dele jogar. Agora, princialmente, que o time vai voltar a atuar, as emoções se renovam.

Paixão nas ondas do rádio 

Jonyclecio pintou os dois escudos do Petrolina na parede de casa (Foto: Jonyclecio Farias / Arquivo Pessoal )  
A relação entre Jonyclecio e o Petrolina tem outro fato bastante curioso. Mesmo com todo fanatismo, a ponto de pintar a casa com as cores do time, ele conta que nunca pôde sentir a emoção de ver a equipe jogando no estádio Paulo de Souza Coelho. A falta de recursos financeiros impede que ele faça a viagem de 158 km entre as duas cidades. 

– Nunca vi o time nem pela TV, nem no estádio. Só pelo rádio. Quando consigo internet, entro no GloboEsporte para saber notícias - confessa. 

A história de Jonyclecio chegou até o perfil não oficial do Petrolina no Facebook. Membros da torcida organizada do time estão se mobilizando para garantir a presença do fanático torcedor na provável estreia da Fera Sertaneja na Série A2 do Campeonato Pernambucano deste ano.

 Inf G1 Petrona/Por Emerson Rocha, Santa Cruz

Blog Santa Cruz 24H

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