segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Dom Paulo Cardoso faz duras críticas aos administradores da igreja que venderam parte do palácio episcopal


Após saber do projeto de construção de um “shopping popular”, nas adjacências do Palácio Diocesano, o bispo emérito de Petrolina Dom Frei Paulo Cardoso detona alguns administradores e em tom de desabafo, se diz “amargurado” com tal ideia. Acompanhe na íntegra a Carta Aberta enviada pelo pastor.

Ao clero da Diocese de Petrolina. Caros irmãos no Sacerdócio ministerial.

1. Profundamente amargurado e entristecido, tomei conhecimento de que se pretende levar adiante o projeto de construção de um “shopping popular”, nas adjacências do Palácio Diocesano. As imagens do projeto continuam a circular abundantemente na internet. Já se anuncia o início imediato das vendas dos “boxes”. As frondosas árvores do “quintal” do Palácio já foram destruídas.


2. Inicialmente, cheguei a pensar na conveniência de publicar uma “Carta Aberta” ao Clero, às autoridades constituídas e à sociedade petrolinense, sobretudo a população católica. Mas depois achei mais conveniente dirigir-me primeiro ao Clero.

3. Todos sabem de minha posição, radicalmente contrária, desde que, há dois anos ou mais, começaram a circular notícias a respeito. Senti-me no direito e na obrigação de externar minha opinião ao então Bispo diocesano, ao próprio clero e ao Colégio dos Consultores.

4. As razões por mim apresentadas são já conhecidas. Entre outras, relembraria: a) O alto significado histórico e afetivo do Palácio para a Diocese e para toda a sociedade petrolinense. O Palácio e a Catedral, sonhos realizados pelo grande Dom Antônio Malan, constituem como que uma única coisa. b) Se, para atender às necessidades da Diocese, o plano era construir algo, dispúnhamos e dispomos de duas áreas excelentes e livres, muito bem localizadas: a área adjacente e contígua ao “Palacinho”, e a ampla área de terreno do Pio XI, que dá para a Av. Guararapes.

5. O atual projeto que se está levando a cabo, não recebeu a aprovação da Secretaria de Obras, por razões técnicas e evidentes. Chegou-se mesmo a denominar de “camelódromo” o que se estava propondo construir.

6. Cheguei a encaminhar Ofício ao Prefeito anterior, solicitando a não-aprovação do projeto.

7. Repito que, se o Palácio é propriedade da Diocese, constitui também um patrimônio da comunidade, assim como a Catedral.

8. O Palácio, figura na Lei Orgânica do Município, como primeiro dos edifícios a serem tombados pelo Poder executivo. Projeto de tal importância, a meu ver, deveria ter passado pela Câmara de Vereadores, e também pelo crivo da própria comunidade, do clero, e recebido aprovação do Colégio de Consultores, para sua validade e legitimidade.

9. A atual crise pela qual passa o país, sem perspectiva de melhora, tem ocasionando o fechamento de tantas lojas e casas comerciais no centro da cidade. É sensato pensar na construção dos boxes projetados?

10.O que virá a significar tal projeto, em termos de irreparável agressão ao próprio Palácio – construído em área doada, quando da criação da Diocese, para o fim muito claro e específico de residência do Bispo? É bom ressaltar que o atual projeto tornará inviável a residência ali de um futuro bispo.

11.Entre outras, são estas as razões que sempre me levaram a opor-me radicalmente a tal projeto. Achei que, mesmo sendo emérito, não podia me omitir. Assim como acho que o primeiro a não poder omitir-se seria o próprio clero! A história haverá de nos cobrar. Pedindo desculpas, mas achei-me no direito de poder partilhar estas preocupações. Não nos faltem as luzes do Espírito Santo, pela intercessão da Senhora e Rainha dos Anjos.

Fraternalmente, Dom Frei Paulo Cardoso

Bispo emérito de Petrolina.

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