O governista acredita que a encomenda fortalecerá a indústria naval no Estado./ Foto: Ascom
Para o socialista, tornar facultativas algumas disciplinas, como filosofia, pode deixar de 
estimular o pensamento crítico. Foto: Henrique Genecy./ Foto: Ascom

A reforma do Ensino Médio, prevista na MP 746, editada pelo Governo Federal, “precisa ser rediscutida e debatida amplamente”, segundo defendeu o deputado Lucas Ramos (PSB), durante a Reunião Plenária desta quarta (26). O parlamentar identifica “pontas soltas” na iniciativa, encaminhada ao Congresso Nacional na forma de medida provisória – condição em que o texto produz efeitos desde a publicação, mas necessita do aval dos parlamentares em até 120 dias para permanecer em vigor.
Ramos observou que a proposta já recebeu mais de 500 emendas e domina as discussões de estudantes e professores. “As mudanças no currículo irão capacitar nossos alunos e estimular o empreendedorismo, com conteúdos que preparam o jovem para a realidade”, afirmou. “Mas alguns pontos necessitam de um olhar mais acurado”, ponderou o deputado.
Para o socialista, tornar facultativas as disciplinas de Educação Física, Filosofia, Sociologia e Artes pode trazer prejuízos para a formação de futuros profissionais e deixar de estimular o pensamento crítico. O parlamentar também disse enxergar “um choque” entre o fomento às escolas em tempo integral, citado na medida provisória, e aproposição de limites para os gastos públicos (PEC 241) pelos próximos 20 anos, aprovada pela Câmara dos Deputados.
“Como garantir escola integral para 500 mil estudantes até 2018, uma meta ousada do Ministério da Educação, sem investimentos graduais que acompanhem o crescimento da demanda?”, indagou. “Pernambuco mostrou para o Brasil que desenvolver a educação é o caminho, e temos hoje a melhor escola do País. Colocamo-nos à disposição para ouvir alunos, professores e instituições, mobilizados democraticamente, e encontrarmos o caminho para uma escola pública de qualidade.”
Priscila Krause (DEM) elogiou Ramos por abordar o tema de maneira “não ideologizada e sem preconceitos”, e também defendeu o amplo debate do assunto. Segundo a parlamentar, as mudanças editadas já vinham sendo levantadas desde governos anteriores, mas somente o atual ministro da Educação, Mendonça Filho, teve “coragem de enviá-las ao Congresso”.
Na avaliação da deputada, o gestor tem enfrentado resistências de setores politicamente alinhados à esquerda, “por ser um liberal à frente do Ministério da Educação”. “São tantos os problemas que não se consegue resolver numa única tacada, mas não se podia ficar de braços cruzados”, considerou. “É preciso uma discussão livre de dogmas ideológicos. Nossos jovens não têm senso crítico porque mal sabem ler e escrever, não pela presença ou ausência de Sociologia ou Filosofia no currículo”, opinou.
Processo na Justiça – No tempo destinado à Comunicação de Lideranças, Priscila Krause voltou a interceder em favor do ministro Mendonça Filho, que anunciou, em nota, a intenção de ir à Justiça contra “ataques mentirosos” do candidato à Prefeitura do Recife João Paulo (PT). O gestor foi acusado, no guia eleitoral do petista, de ter cortado recursos direcionados ao Ensino Superior e ao programa Ciência sem Fronteiras.
“Ao contrário do que o candidato João Paulo alega, o ministro garantiu 100% do custeio das universidades e foi ao Congresso pedir pessoalmente um crédito suplementar de R$1 bilhão para garantir a renovação de contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies)”, rechaçou Priscila Krause.